Existem momentos em que uma instituição olha para uma arte e enxerga muito mais do que cores, desenhos e uma nova identidade visual. Enxerga o resultado de tudo aquilo em que acreditou durante anos.
A nova arte da ASSORAC – Associação Raízes da Cultura, criada por Pedro Henrique Oliveira de Lima, possui exatamente esse significado.
Ela chega em um período de renovação, crescimento e fortalecimento dos projetos da instituição, mas traz consigo algo ainda maior: foi criada por um jovem que também é fruto dessa caminhada.
E isso não tem preço.
Na nova composição, Pedro preservou a identidade original da ASSORAC, com as mãos coloridas que representam diversidade, participação, união e construção coletiva. Ao lado dela, porém, surge um novo personagem: um jovem estudante, alegre, carregando livro, mochila e fones de ouvido.
Não é simplesmente um mascote.
Ele pode representar cada criança e cada adolescente que um dia entrou em um projeto da ASSORAC sem saber exatamente até onde aquela oportunidade poderia levá-lo.
O livro aberto simboliza conhecimento e educação.
A mochila representa caminhada, escola e preparação para o futuro.
Os fones de ouvido aproximam esse jovem da comunicação, da tecnologia e das novas linguagens.
Os livros ao seu lado reforçam a leitura como instrumento de liberdade e formação.
E as cores presentes no personagem dialogam com as próprias mãos da logomarca institucional, como se aquele jovem tivesse saído de dentro da identidade da ASSORAC e ganhado vida.
Essa talvez seja a maior simbologia dessa criação.
O jovem que antes era alcançado pelo projeto passa a ajudar a construir o próprio projeto.
Pedro Henrique conhece essa realidade não apenas como profissional responsável por uma criação gráfica. Ele conhece por experiência e convivência. Foi um jovem da comunidade em quem se acreditou, para quem uma porta foi aberta e que, com o passar do tempo, foi descobrindo e desenvolvendo suas capacidades.
Hoje, sua participação alcança diferentes etapas dos projetos. Fotografia, vídeo, imagens, comunicação e criação de identidades visuais passaram a fazer parte desse processo de crescimento.
E quando surgiu uma nova oportunidade através das ações do Termo de Fomento nº 015/2026, houve uma escolha muito significativa: olhar também para dentro da própria comunidade e acreditar no talento que havia sido cultivado ali.
Pedro recebeu confiança.
E respondeu com trabalho, criatividade e produtividade.
Uma coleção de artes, uma história de crescimento
Ao longo desse processo, suas criações passaram a ajudar a renovar a apresentação de diferentes iniciativas da instituição.
No Jovem Repórter, procurou traduzir a força da juventude encontrando voz através da comunicação.
No Cordel nas Escolas, aproximou infância, literatura, educação e raízes nordestinas.
Na publicação “A Família – O Primeiro Projeto de Deus”, utilizou as mãos envolvendo pais e filhos para transmitir proteção, amor, diálogo e união.
Nos trabalhos relacionados ao Estatuto da Criança e do Adolescente, seus direitos, deveres e novas legislações, a comunicação visual passou a colaborar com uma proposta que transforma conteúdos importantes em instrumentos mais acessíveis de educação e cidadania.
Também desenvolveu trabalhos gráficos ligados a conteúdos de estudo e conhecimento jurídico, incluindo materiais relacionados à OAB e a diferentes áreas do Direito, procurando transformar temas densos em apresentações visualmente organizadas e atrativas.
No Nordeste Diversos, fez o sol irradiar música, repente, poesia, dança, gastronomia, humor, tradição e cultura, cercando tudo com elementos que remetem às nossas raízes.
Na Biblioteca Comunitária das Malvinas, colocou uma criança diante de um enorme livro aberto, cercada de lápis, pincéis, livros e cores, fazendo da leitura uma grande janela para o conhecimento.
E agora, na própria identidade da ASSORAC, talvez esteja representado o ponto de encontro de todas essas histórias.
Porque o personagem que segura o livro poderia ser qualquer jovem.
Mas, simbolicamente, também poderia ser Pedro.
Um jovem que encontrou uma porta aberta e, anos depois, retorna trazendo consigo aquilo que aprendeu, desenvolveu e aperfeiçoou.
É por isso que precisamos acreditar na juventude
Muitas vezes, quando se fala sobre jovens das comunidades, ganha espaço justamente aquilo que deu errado.
Fala-se das drogas.
Da violência.
Da criminalidade.
Da evasão escolar.
Das dificuldades.
Tudo isso precisa ser enfrentado. Mas uma comunidade não pode ser definida somente por seus problemas.
Dentro das comunidades existem fotógrafos esperando uma primeira câmera.
Existem designers esperando um computador.
Existem radialistas esperando um microfone.
Existem escritores esperando um livro.
Existem músicos esperando um instrumento.
Existem comunicadores esperando uma oportunidade.
Existem talentos esperando simplesmente que alguém acredite.
Pedro Henrique representa justamente o outro lado dessa história.
Não queremos mostrar a juventude caída.
Queremos ajudá-la a ficar de pé.
Não queremos apenas apontar aquilo que um jovem não conseguiu fazer.
Queremos descobrir aquilo que ele é capaz de fazer quando encontra oportunidade, orientação e confiança.
E isso explica por que esse trabalho possui um significado tão especial para a ASSORAC.
Ao final dessa etapa de criação vinculada às ações do Termo de Fomento, não ficam somente arquivos digitais, fotografias, vídeos, logomarcas ou materiais de divulgação.
Fica uma demonstração concreta de protagonismo juvenil.
A instituição acreditou naquele jovem.
Abriu espaço.
Deu responsabilidade.
Permitiu que criasse.
E ele respondeu mostrando sua sensibilidade e seu crescimento.
Esse talvez seja um dos resultados mais bonitos que um projeto social pode apresentar.
Porque o verdadeiro resultado de um projeto não está somente na quantidade de atividades realizadas.
Está também no dia em que um antigo participante começa a construir oportunidades para os que estão chegando depois dele.
É assim que se forma um ciclo.
A criança participa.
O adolescente aprende.
O jovem descobre seu talento.
Recebe oportunidade.
Cresce.
E um dia retorna para ajudar outras crianças e outros jovens a descobrirem seus próprios caminhos.
Isso é transformação social.
E é desse Brasil que precisamos falar mais.
Do Brasil que acredita antes de condenar.
Que orienta antes de desistir.
Que abre portas em vez de apontar somente os problemas.
Que oferece cultura, educação, comunicação, esporte, leitura e arte como caminhos possíveis.
Porque talvez existam milhares de “Pedros” espalhados pelas periferias e comunidades brasileiras.
O que muitas vezes falta não é capacidade.
Falta oportunidade.
Por isso, esta nova arte da ASSORAC representa muito mais do que inovação visual.
Ela representa um princípio que acompanha a instituição:
acreditar nas pessoas.
Acreditar na criança.
Acreditar no adolescente.
Acreditar no jovem.
Acreditar no potencial existente dentro das comunidades.
E ter a coragem de entregar responsabilidade para que esse potencial possa aparecer.
Quando olhamos para esse mascote sorrindo, segurando seu livro, cercado pelas cores da ASSORAC, podemos enxergar exatamente essa mensagem:
“Alguém acreditou em mim. Agora eu posso mostrar do que sou capaz.”
Esse é o presente que Pedro Henrique Oliveira de Lima deixa nesta etapa de seu trabalho.
E talvez seja também uma das maiores respostas que os projetos da ASSORAC poderiam receber depois de tantos anos:
quando plantamos oportunidades, podemos colher protagonistas.
ASSORAC – Associação Raízes da Cultura
Cultura que acolhe. Educação que fortalece. Oportunidades que revelam talentos.
Porque acreditar em um jovem hoje pode significar transformar toda uma história amanhã.
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