Há imagens que identificam um projeto. Outras conseguem contar a sua história antes mesmo que alguém pronuncie uma palavra. A nova arte do Programa Cordel na Escola nasce com esse propósito: transformar em imagem mais de 15 anos de cultura, educação, cidadania e valorização das raízes nordestinas.
Criada por Pedro Henrique Oliveira de Lima, a identidade visual não surgiu apenas de um trabalho técnico de criação. Ela nasceu do olhar de alguém que conhece e convive com os projetos da SORAC, compreende sua trajetória e consegue perceber os sentimentos existentes por trás de cada ação. Por isso, cada elemento da arte possui significado.
No centro está uma criança representada pelo próprio livro, alegre, sorridente e de braços abertos para o conhecimento. É uma imagem que une infância, leitura e educação. A criança não está simplesmente segurando o cordel: de certa maneira, ela própria se transforma em literatura. Isso representa aquilo que o projeto procura fazer — permitir que crianças e adolescentes não sejam apenas leitores, mas participantes e protagonistas da cultura.
Na cabeça, o chapéu de couro nordestino carrega uma das simbologias mais fortes da identidade regional. Ele recorda o vaqueiro, o sertanejo, o homem e a mulher do campo, a resistência diante das dificuldades e a dignidade de um povo que aprendeu a transformar sua própria história em verso.
O chapéu fala do sertão.
O livro fala da educação.
O sorriso fala da infância.
E o cordel une tudo isso.
Em uma das mãos, o personagem apresenta o pequeno folheto escrito “Cordel”, com uma ilustração que remete à tradicional estética das xilogravuras e das capas da literatura popular nordestina. Na outra, carrega um livro. É como se a arte dissesse que cultura popular e educação caminham juntas.
Até os elementos que cercam o personagem — o sol, o mandacaru, as referências ao sertão, as formas e os traços inspirados no universo popular — ajudam a construir uma identidade imediatamente ligada ao Nordeste. As cores fortes e a tipografia marcante dão vida e modernidade à composição sem abandonar aquilo que é essencial: as raízes.
E essa é justamente a essência do Cordel na Escola.
Há mais de 15 anos, o projeto utiliza a poesia popular como instrumento para conversar sobre assuntos que ultrapassam os livros. O Estatuto da Criança e do Adolescente, a família, a prevenção às drogas, ao alcoolismo e ao tabagismo, cidadania, educação, valores humanos, direitos e deveres, além da preservação e valorização da cultura regional, encontram no cordel uma linguagem simples, próxima e profundamente nordestina.
Porque é possível ensinar uma lei através de versos.
É possível conversar sobre família através da poesia.
É possível trabalhar prevenção, cidadania e direitos sem abandonar a cultura.
E é possível fazer uma criança descobrir que aquilo que seus avós contavam, que o sotaque de sua terra, que o vaqueiro, o sertão, o repente, a xilogravura e o folheto de feira também são conhecimento, patrimônio e identidade.
Por isso, essa nova logomarca não procura apresentar o Nordeste como algo preso ao passado. Pelo contrário. Ela coloca nossas raízes dialogando com uma linguagem visual jovem, alegre e contemporânea.
Esse olhar também aparece nas demais identidades que Pedro Henrique vem desenvolvendo para os projetos da SORAC. Seja no Cordel na Escola, Jovem Repórter, Palco Literário, Café Prosa e Poesia ou em outras iniciativas voltadas às diferentes gerações, existe a preocupação de fazer com que cada arte tenha personalidade própria, mas continue pertencendo à mesma grande história institucional.
É aí que está a sensibilidade do trabalho.
Pedro conhece os projetos não apenas pelo nome. Ele convive com eles. Conhece seus objetivos, suas histórias e as pessoas alcançadas por suas ações. E essa proximidade permite transformar sentimento em imagem.
No Cordel na Escola, isso aparece com muita força.
A criança da logomarca poderia representar qualquer menino ou menina que recebe um cordel pela primeira vez e começa a folheá-lo por curiosidade. Depois lê um verso. Descobre uma rima. Aprende alguma coisa. Leva o livreto para casa. Mostra aos pais ou aos avós.
E, naquele pequeno gesto, acontece algo extraordinário:
a escola encontra a comunidade,
a criança encontra suas raízes,
a educação encontra a cultura
e o presente encontra o passado para construir o futuro.
É isso que essa arte procura representar.
Mais do que uma nova identidade visual, ela é uma homenagem à literatura de cordel, à infância, à educação e ao povo nordestino.
Porque o Cordel na Escola acredita que preservar nossas raízes não significa apenas olhar para trás.
Significa ensinar às novas gerações de onde viemos, para que elas tenham ainda mais força para escolher aonde querem chegar.
CORDEL NA ESCOLA
Educação em versos, cultura nas raízes e cidadania para transformar gerações.
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