Existem trabalhos gráficos que simplesmente ilustram uma publicação. Outros conseguem, antes mesmo da primeira página ser aberta, transmitir a mensagem que existe dentro dela. É exatamente essa a força da arte criada por Pedro Henrique Oliveira de Lima para o cord
el “A Família — O Primeiro Projeto de Deus”, do Poeta Aziel Lima, integrante das ações do Projeto Cordel nas Escolas.
Ao observar a capa, o primeiro elemento que chama a atenção são duas grandes mãos envolvendo a família. Não estão ali por acaso. Elas representam acolhimento, cuidado, proteção e amparo. Dentro delas aparecem pai, mãe e filhos, reunidos e próximos, transmitindo a ideia de comunhão, diálogo e pertencimento.
As mãos também carregam uma dimensão espiritual relacionada diretamente ao título “O Primeiro Projeto de Deus”. É como se representassem o cuidado divino envolvendo o núcleo familiar, protegendo aquilo que o cordel apresenta como um dos primeiros espaços de formação humana: o lugar onde aprendemos a amar, respeitar, dividir, perdoar, conversar e cuidar uns dos outros.
Pedro Henrique conseguiu trabalhar essa mensagem com sensibilidade porque não colocou apenas uma família no centro da imagem. Ele colocou a família dentro de mãos que acolhem.
E esse detalhe muda toda a leitura da arte.
Ao redor dessa cena principal, outros elementos ajudam a contar a história. Os corações remetem ao amor; os pássaros trazem uma sensação de liberdade, paz e esperança; as casas lembram comunidade e pertencimento; enquanto os elementos do cenário regional aproximam a publicação de suas raízes nordestinas.
A própria escolha das tonalidades da capa merece destaque. Os tons terrosos, amarelados, verdes e avermelhados remetem à estética da literatura popular, às antigas impressões e às tradicionais ilustrações dos folhetos. Ao mesmo tempo, o acabamento visual apresenta uma linguagem contemporânea, fazendo uma ponte muito bonita entre tradição e inovação.
Há ainda uma informação fundamental colocada de maneira clara na própria arte:
“Uma reflexão em Literatura de Cordel sobre amor, respeito, diálogo, proteção e esperança.”
Essa pequena frase praticamente resume toda a proposta educativa da publicação.
O cordel não pretende somente falar da família de maneira romântica. Ele propõe uma reflexão sobre os valores necessários para que os vínculos familiares sejam fortalecidos: conversar, respeitar diferenças, proteger crianças e adolescentes, cultivar afeto e compreender que nenhuma família é construída apenas pela convivência, mas pelas relações que são alimentadas diariamente.
Por isso, a imagem criada por Pedro Henrique consegue conversar diretamente com o conteúdo.
As mãos representam proteção.
Os corações representam amor.
A proximidade representa diálogo.
A família reunida representa comunhão.
E todo o conjunto transmite esperança.
Essa criação integra um momento importante de fortalecimento institucional proporcionado pelas ações do Termo de Fomento nº 015/2026, por meio do Fundo Municipal de Assistência Social de Campina Grande (FMAS) e da Prefeitura Municipal de Campina Grande (PMCG).
Esse apoio permitiu dar um novo impulso às atividades, melhorar materiais, fortalecer a comunicação visual e proporcionar mais qualidade à apresentação dos projetos desenvolvidos junto às comunidades.
E existe algo especialmente significativo no trabalho de Pedro Henrique: ele não está simplesmente produzindo logomarcas e capas isoladas.
Ao desenvolver as identidades do Jovem Repórter, Cordel nas Escolas, Família, Palco Literário, Café Prosa e Poesia e de outras ações, Pedro começa a construir uma linguagem visual capaz de apresentar a diversidade dos projetos e, ao mesmo tempo, revelar que todos fazem parte de uma mesma missão social.
Isso acontece porque existe convivência.
Quem conhece o projeto consegue enxergar além do nome.
Pedro conhece suas atividades, acompanha sua caminhada e compreende o sentimento existente por trás delas. Dessa proximidade nasce a sensibilidade para transformar ideias em símbolos.
Na capa de “A Família — O Primeiro Projeto de Deus”, essa sensibilidade talvez esteja resumida justamente nas duas mãos.
Elas poderiam simplesmente estar abertas.
Mas estão envolvendo.
Estão protegendo.
Estão dizendo silenciosamente:
“Aqui existe algo precioso que precisa ser cuidado.”
E talvez essa seja uma das mensagens mais bonitas que uma arte sobre família poderia transmitir.
Porque, independentemente das diferentes configurações familiares existentes em nossa sociedade, permanece uma necessidade comum a todas elas: amor, respeito, diálogo, responsabilidade, proteção e esperança.
É isso que o cordel procura ensinar.
É isso que a arte procura representar.
E é justamente quando arte, cultura e compromisso social caminham juntos que uma simples capa deixa de ser somente uma imagem e passa a ser também uma mensagem.
“A Família — O Primeiro Projeto de Deus”
Uma arte que acolhe. Um cordel que dialoga. Uma mensagem que convida cada família a cuidar daquilo que possui de mais precioso: seus vínculos.
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